quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Tereza Cristina é a verdadeira Rainha do Nilo

Entrando na reta final, Fina Estampa, folhetim do principal horário de novelas da Rede Globo, começa a afunilar suas histórias e caminhá-las para o desfecho. Ainda que a trama de Aguinaldo Silva continue cheia de problemas já elencados por este espaço, é preciso levar em consideração a sensível melhora das sequências que agitam os momentos recentes.

Uma análise um pouco além do superficial, leva a clara compreensão de que a novela foge dos padrões - mas nem tanto - no que diz respeito ao universo do protagonismo. Tida como a principal causa do alavancamento de audiência do horário, a protagonista da história, Griselda (Lília Cabral) que, no começo, caiu nas graças do telespectador com seu jeito de mulher batalhadora, pobre e que enfrentava o trabalho duro sem reclamação, após enriquecer acabou tendo seu eixo deslocado e não mais conseguindo ter a força necessária para ser o centro das atenções.

Mas o novelista Aguinaldo Silva é entendido do assunto e soube conduzir sua linha narrativa sem prejudicar o andamento do todo. Se Griselda não tinha história para protagonizar mais de 180 capítulos, o autor conseguiu construir outra protagonista. Trata-se de Tereza Cristina (Christiane Torloni). A personagem, vilã da história, tornou-se a verdadeira dona da história há pelo menos uns 30 capítulos e vem encantando os telespectadores com suas armações insanas, momentos divertidos e maldades extremas.

O lado vilão de Tereza Cristina funciona muito bem porque a personagem não tem limites - assim como outras vilãs de sucesso, Flora (A Favorita), Laura (Celebridade) - e esse tipo de personagem quase sempre cai no gosto popular. Mas, diferente de Nazaré (Senhora do Destino) em que a personagem foi muito caricata por sair do drama para o humor sozinha, Tereza Cristina consegue transitar pelo cômico de forma correta.

O autor entendeu que é muito difícil tirar um antagonista do drama e levá-lo para a comicidade sozinha, por isso, soube construir uma história inteligente. As maldades da personagem são divididas em um núcleo, a comicidade é dividida em outro. As cenas de Tereza Cristina ao lado de Crô (Marcelo Serrado) e Baltzar (Alexandre Nero) funcionam com ótima química e numa dinâmica muito diferente das sequências de maldade da vilã.

Mais do que simplesmente transitar por dois universos, a personagem tem a novela toda em torno de si. Atualmente em Fina Estampa tudo acontece por meio de Tereza Cristina. Sequestros comandados por ela, cenas de morte, tentativa de assassinato, humor, o tal segredo descoberto o outro segredo. Basicamente, Tereza Cristina transformou-se na protagonista de Fina Estampa, a Rainha do Nilo. O público agradece este recurso acertado do autor.

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